sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

RELATÓRIO SEMESTRAL DE ATIVIDADE CURRICULAR

 

RELATÓRIO SEMESTRAL DE ATIVIDADE CURRICULAR

 

1. Identificação

Aluno: Paulo Jose de Sousa  PRO240427

Disciplina: A Experiência Artística e a Prática do Ensino de Artes na Escola
Docentes: Prof. Dr. Pio de Sousa Santana Prof. Dr. Fernando Bueno Catelan Programa: Mestrado Profissional em Artes – PROFARTES / UNESP
Semestre/Ano: 2º sem / 2025 Aulas às sextas-feiras das 14h00 às 18h00
Carga Horária: 60 hs

 

2. Apresentação e objetivos da disciplina

          A disciplina A Experiência Artística e a Prática do Ensino de Artes na Escola teve como eixo central a reflexão sobre a experiência artística como fundamento do ensino de artes, compreendendo o professor como sujeito criador, mediador e pesquisador de sua própria prática. A proposta esteve orientada pela articulação entre fundamentos teóricos, práticas artísticas e contextos educativos, buscando superar uma abordagem instrumental do ensino de arte e valorizar processos, gestos, materialidades e experiências sensíveis.

        Nesse sentido, a disciplina problematizou as relações entre arte contemporânea, escola e sociedade, incentivando reflexões críticas acerca dos modos de ensinar e aprender arte e do papel da experiência estética na formação dos sujeitos. Os objetivos dialogaram diretamente com os pressupostos do Mestrado Profissional em Artes, ao enfatizar a inseparabilidade entre teoria e prática, bem como a legitimidade da produção artística e pedagógica como forma de conhecimento.

 

3. Desenvolvimento da disciplina: conteúdos, abordagens e metodologias

        As aulas foram integralmente cumpridas, respeitando a proposta pedagógica apresentada no plano de ensino. A condução da disciplina caracterizou-se por uma metodologia dialógica, processual e participativa, na qual os docentes intercalaram leituras teóricas, debates coletivos, ações práticas em sala de aula e experiências em espaços expositivos, promovendo constante articulação com as práticas profissionais e artísticas dos discentes.

        As duas primeiras aulas estiveram diretamente relacionadas ao I Congresso Nacional da Rede PROFARTES, realizado entre 10 e 12 de setembro de 2025. O congresso foi compreendido, no contexto da disciplina, como um evento acadêmico, e  um espaço ampliado de experimentação artística, pedagógica e formativa. A partir dessa vivência, foram concebidas e realizadas diversas ações artísticas, incluindo intervenções, happenings, apresentações musicais, performances de dança e uma exposição de artes visuais, envolvendo os mestrandos em processos colaborativos de criação. Neste congresso participei como monitor, assim como  com o artigo  “GRAFFITI NA ESCOLA: Stencil e narrativas visuais” apresentado na Modalidade Resumo Expandido e artista expositor  com  duas  obras da exposição “Corpos em transito: paisagens sensíveis da arte na educação” com Curadoria do Profº. Pio de Sousa Santana.

        No decorrer do semestre, as aulas aprofundaram discussões teóricas a partir de leituras realizadas e debatidas coletivamente em sala. Entre elas, destacam-se os textos O ensino de arte como fraude, de Luis Camnitzer, e Qual o lugar da arte na educação?, de Rejane Galvão Coutinho, que suscitaram reflexões críticas sobre os sentidos atribuídos à arte no contexto escolar e sobre os riscos de sua instrumentalização. Essas discussões foram ampliadas com a leitura de Escola é lugar de arte?, de Carminda Mendes André, e Arte como política, de Augusto Boal, reforçando o entendimento da arte como prática política, relacional e transformadora.

       No eixo denominado Dimensões políticas da arte na escola, a leitura de Reflexões sobre a Abordagem Triangular do Ensino de Arte, de Christina Rizzi, possibilitou revisitar criticamente essa proposta metodológica, analisando suas contribuições, limites e atualizações possíveis frente às práticas contemporâneas e aos contextos escolares atuais. Nesse mesmo momento, foram abordados aspectos institucionais e éticos da pesquisa em educação, com explicações sobre a Plataforma Brasil, ampliando a compreensão sobre os procedimentos necessários à pesquisa com seres humanos.

        Como atividade externa, foi realizada, no dia 24 de outubro, a visita à 36ª Bienal de Arte de São Paulo, mediada pelo professor Pio. Essa experiência configurou-se como uma aula expandida, na qual o espaço expositivo tornou-se território de aprendizagem, escuta e reflexão. Ao percorrermos diferentes núcleos e ambientes da Bienal, instigados a observar as obras como objetos finalizados e como processos que articulam gesto, materialidade, corpo e contexto, estabelecendo relações entre as propostas curatoriais, as poéticas dos artistas e as práticas de ensino de artes.

         Nas aulas seguintes, foram discutidos temas como território contemporâneo, arte tecnológica e digital e performance, ampliando o debate sobre as linguagens artísticas contemporâneas e seus desdobramentos no campo educacional. Nesse contexto, o professor Pio compartilhou com a turma seu projeto de pesquisa de doutorado, no qual investiga as relações entre jogo, arte e educação como dispositivos poéticos, pedagógicos e políticos. A apresentação de seu percurso investigativo possibilitou refletir sobre o jogo como prática cultural e artística capaz de produzir experiências estéticas, ativar o corpo, o espaço e a participação, bem como tensionar as fronteiras entre arte, ensino e aprendizagem.

        O jogo foi abordado  como recurso metodológico, e como estratégia conceitual e artística, capaz de instaurar situações de experimentação, negociação e construção coletiva de sentidos no contexto educacional. Essa discussão dialogou diretamente com os debates sobre território, tecnologia e performance, ao evidenciar práticas artísticas que se constroem na relação com o espaço, com o outro e com os dispositivos contemporâneos. Desse modo, as reflexões desenvolvidas contribuíram para ampliar a compreensão sobre modos de pesquisa em arte-educação que articulam prática artística, território e processos formativos, fortalecendo a noção da pesquisa como experiência situada, relacional e implicada.  A partir das experiencias e vivencias  na manipulação do jogo proposto pelo professor desenvolvemos propostas coletivas ou individuais  que foram objetos de arte para a exposição  “Poéticas climáticas da arte/educação” com a curadoria do profº Pio de Sousa Santana.

      Encerramos as atividades do semestre com montagem e desmontagem da exposição coletiva “Poéticas climáticas da arte/educação”, que reuniu trabalhos dos alunos do PROFARTES 2025, possibilitando ampliar o campo de reflexão para questões urgentes do mundo contemporâneo. Essa abordagem deixou evidente a arte como linguagem capaz de provocar deslocamentos de percepção, sensibilizar o público e articular dimensões éticas, políticas e poéticas no contexto educacional. Nesta exposição participei com o trabalho de artes visuais intitulado “Combusto”, integrando o processo coletivo de organização, montagem e reflexão curatorial. O encerramento contou ainda com apresentações performáticas realizadas pelos alunos e professores, reafirmando a dimensão processual, colaborativa e performativa da disciplina.

4. Contribuições para a formação acadêmica, artística e docente

       A disciplina contribuiu de forma decisiva para o aprofundamento da minha formação enquanto professor-artista-pesquisador, especialmente ao deslocar o ensino de artes de uma perspectiva centrada em conteúdos e resultados para uma abordagem fundamentada na experiência estética, no processo e no gesto artístico.

       Ao longo do semestre, tornou-se evidente que ensinar arte implica criar condições para a experiência sensível, para o risco, para a experimentação e para a construção de sentidos em diálogo com o contexto vivido.

       As práticas desenvolvidas — como as ações artísticas no Congresso PROFARTES, as proposições baseadas no jogo, a visita mediada à Bienal de São Paulo e a participação em exposições coletivas — possibilitaram vivenciar, na prática, o professor como mediador de experiências e não apenas como transmissor de saberes. Essas vivências tensionaram diretamente minha atuação docente, levando-me a repensar o planejamento das aulas, o papel do corpo, do espaço e da materialidade, bem como as formas de avaliação em artes no contexto escolar.

       Do ponto de vista acadêmico, as discussões teóricas fortaleceram minha capacidade de leitura crítica sobre o lugar da arte na escola, problematizando sua instrumentalização e reafirmando sua dimensão política e formativa. Artisticamente, a disciplina ampliou meu repertório de procedimentos e linguagens, especialmente no que se refere às práticas contemporâneas, à performance e às ações coletivas, consolidando a compreensão da criação artística como processo situado, relacional e atravessado por questões sociais, culturais e educativas.

5. Articulação com o projeto de pesquisa

      Os conteúdos, debates e experiências vivenciados na disciplina dialogam de maneira direta e estruturante com meu projeto de pesquisa intitulado “Graffiti Pixel: materialidade e gesto artístico”. A ênfase conferida à experiência artística, ao gesto e à materialidade contribuiu para aprofundar a compreensão do graffiti não apenas como imagem ou linguagem visual, mas como prática corporal, processual e territorial, marcada por ações no espaço urbano e por relações políticas com a cidade.

       As abordagens  teóricas e as discussões sobre arte contemporânea, território e ensino de artes possibilitaram ampliar o olhar sobre o graffiti enquanto prática artística situada, atravessada por disputas simbólicas, institucionais e pedagógicas. A visita à Bienal de Arte de São Paulo, por exemplo, reforçou a compreensão da obra de arte como processo e experiência, aspecto que dialoga diretamente com as práticas do graffiti e com sua materialidade efêmera e relacional.

      Além disso, as reflexões sobre o jogo como dispositivo artístico e pedagógico contribuíram para pensar o graffiti pixelado como um campo de experimentação que articula gesto, técnica, corpo e tecnologia. No âmbito educacional, a disciplina também favoreceu a reflexão sobre os desdobramentos pedagógicos da pesquisa, especialmente no contexto escolar, reconhecendo as práticas artísticas urbanas como formas legítimas de produção de conhecimento e como potentes mediadoras no ensino de artes.

6. Considerações finais

       A disciplina A Experiência Artística e a Prática do Ensino de Artes na Escola constituiu-se como um espaço formativo fundamental no contexto do Mestrado Profissional em Artes, ao promover um percurso marcado pela articulação entre teoria, prática artística e reflexão crítica sobre o ensino de artes. A condução sensível e rigorosa dos docentes, aliada à participação ativa dos discentes, possibilitou a construção de um ambiente de aprendizagem pautado pela escuta, pela experimentação e pelo diálogo entre diferentes saberes e trajetórias profissionais.

       Ao longo do semestre, a disciplina reafirmou a arte como experiência, como prática política e como campo de produção de conhecimento, tensionando concepções tradicionais de ensino e ampliando as possibilidades de atuação do professor de artes na escola contemporânea. As experiências coletivas, as ações artísticas e as exposições realizadas evidenciaram a potência da arte como linguagem capaz de provocar deslocamentos, sensibilizar percepções e instaurar reflexões críticas sobre o mundo.

      De modo geral, a disciplina contribuiu significativamente para o fortalecimento da minha formação acadêmica, artística e docente, consolidando uma compreensão do ensino de artes comprometida com a experiência estética, o gesto artístico e a leitura crítica do contexto contemporâneo. Esses aprendizados se articulam diretamente aos objetivos do PROFARTES e ao desenvolvimento da minha pesquisa de mestrado, reafirmando a inseparabilidade entre criação artística, prática pedagógica e investigação acadêmica.

 

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