RELATÓRIO
SEMESTRAL DE ATIVIDADE CURRICULAR
1.
Identificação
Aluno:
Paulo Jose de
Sousa PRO240427
Disciplina: A Experiência Artística e a Prática do
Ensino de Artes na Escola
Docentes: Prof. Dr. Pio de Sousa Santana Prof. Dr. Fernando Bueno
Catelan Programa: Mestrado Profissional em Artes – PROFARTES / UNESP
Semestre/Ano: 2º sem / 2025 Aulas às sextas-feiras das 14h00 às 18h00
Carga Horária: 60 hs
2. Apresentação e objetivos da
disciplina
A disciplina A Experiência Artística e a Prática do Ensino de
Artes na Escola teve como eixo central a reflexão sobre a experiência
artística como fundamento do ensino de artes, compreendendo o professor como
sujeito criador, mediador e pesquisador de sua própria prática. A proposta
esteve orientada pela articulação entre fundamentos teóricos, práticas
artísticas e contextos educativos, buscando superar uma abordagem instrumental
do ensino de arte e valorizar processos, gestos, materialidades e experiências
sensíveis.
Nesse sentido, a disciplina problematizou as relações entre arte
contemporânea, escola e sociedade, incentivando reflexões críticas acerca dos
modos de ensinar e aprender arte e do papel da experiência estética na formação
dos sujeitos. Os objetivos dialogaram diretamente com os pressupostos do
Mestrado Profissional em Artes, ao enfatizar a inseparabilidade entre teoria e
prática, bem como a legitimidade da produção artística e pedagógica como forma
de conhecimento.
3. Desenvolvimento da disciplina:
conteúdos, abordagens e metodologias
As aulas foram integralmente cumpridas, respeitando a proposta
pedagógica apresentada no plano de ensino. A condução da disciplina
caracterizou-se por uma metodologia dialógica, processual e participativa, na
qual os docentes intercalaram leituras teóricas, debates coletivos, ações
práticas em sala de aula e experiências em espaços expositivos, promovendo
constante articulação com as práticas profissionais e artísticas dos discentes.
As duas primeiras aulas
estiveram diretamente relacionadas ao I Congresso Nacional da Rede PROFARTES,
realizado entre 10 e 12 de setembro de 2025. O congresso foi compreendido, no
contexto da disciplina, como um evento acadêmico, e um espaço ampliado de experimentação
artística, pedagógica e formativa. A partir dessa vivência, foram concebidas e
realizadas diversas ações artísticas, incluindo intervenções, happenings,
apresentações musicais, performances de dança e uma exposição de artes visuais,
envolvendo os mestrandos em processos colaborativos de criação. Neste congresso
participei como monitor, assim como com
o artigo “GRAFFITI NA ESCOLA: Stencil e
narrativas visuais” apresentado na Modalidade Resumo Expandido e artista
expositor com duas obras da exposição “Corpos em transito:
paisagens sensíveis da arte na educação” com Curadoria do Profº. Pio de Sousa
Santana.
No decorrer do semestre, as aulas aprofundaram discussões teóricas a
partir de leituras realizadas e debatidas coletivamente em sala. Entre elas,
destacam-se os textos O ensino de arte como fraude, de Luis Camnitzer, e
Qual o lugar da arte na educação?, de Rejane Galvão Coutinho, que
suscitaram reflexões críticas sobre os sentidos atribuídos à arte no contexto
escolar e sobre os riscos de sua instrumentalização. Essas discussões foram
ampliadas com a leitura de Escola é lugar de arte?, de Carminda Mendes
André, e Arte como política, de Augusto Boal, reforçando o entendimento
da arte como prática política, relacional e transformadora.
No eixo denominado Dimensões políticas da arte na escola, a
leitura de Reflexões sobre a Abordagem Triangular do Ensino de Arte, de
Christina Rizzi, possibilitou revisitar criticamente essa proposta
metodológica, analisando suas contribuições, limites e atualizações possíveis
frente às práticas contemporâneas e aos contextos escolares atuais. Nesse mesmo
momento, foram abordados aspectos institucionais e éticos da pesquisa em
educação, com explicações sobre a Plataforma Brasil, ampliando a
compreensão sobre os procedimentos necessários à pesquisa com seres humanos.
Como atividade externa, foi realizada, no dia 24 de outubro, a visita
à 36ª Bienal de Arte de São Paulo, mediada pelo professor Pio. Essa
experiência configurou-se como uma aula expandida, na qual o espaço expositivo
tornou-se território de aprendizagem, escuta e reflexão. Ao percorrermos
diferentes núcleos e ambientes da Bienal, instigados a observar as obras como
objetos finalizados e como processos que articulam gesto, materialidade, corpo
e contexto, estabelecendo relações entre as propostas curatoriais, as poéticas
dos artistas e as práticas de ensino de artes.
Nas aulas seguintes, foram discutidos temas como território
contemporâneo, arte tecnológica e digital e performance, ampliando o debate
sobre as linguagens artísticas contemporâneas e seus desdobramentos no campo
educacional. Nesse contexto, o professor Pio compartilhou com a turma seu projeto
de pesquisa de doutorado, no qual investiga as relações entre jogo, arte e
educação como dispositivos poéticos, pedagógicos e políticos. A apresentação de
seu percurso investigativo possibilitou refletir sobre o jogo como prática
cultural e artística capaz de produzir experiências estéticas, ativar o corpo,
o espaço e a participação, bem como tensionar as fronteiras entre arte, ensino
e aprendizagem.
O jogo foi abordado como recurso
metodológico, e como estratégia conceitual e artística, capaz de instaurar
situações de experimentação, negociação e construção coletiva de sentidos no
contexto educacional. Essa discussão dialogou diretamente com os debates sobre
território, tecnologia e performance, ao evidenciar práticas artísticas que se
constroem na relação com o espaço, com o outro e com os dispositivos
contemporâneos. Desse modo, as reflexões desenvolvidas contribuíram para
ampliar a compreensão sobre modos de pesquisa em arte-educação que articulam
prática artística, território e processos formativos, fortalecendo a noção da
pesquisa como experiência situada, relacional e implicada. A partir das experiencias e vivencias na manipulação do jogo proposto pelo
professor desenvolvemos propostas coletivas ou individuais que foram objetos de arte para a
exposição “Poéticas climáticas da
arte/educação” com a curadoria do profº Pio de Sousa Santana.
Encerramos as atividades do semestre com montagem e desmontagem da
exposição coletiva “Poéticas climáticas da arte/educação”, que reuniu trabalhos
dos alunos do PROFARTES 2025, possibilitando ampliar o campo de reflexão para
questões urgentes do mundo contemporâneo. Essa abordagem deixou evidente a arte
como linguagem capaz de provocar deslocamentos de percepção, sensibilizar o
público e articular dimensões éticas, políticas e poéticas no contexto
educacional. Nesta exposição participei com o trabalho de artes visuais
intitulado “Combusto”, integrando o processo coletivo de organização,
montagem e reflexão curatorial. O encerramento contou ainda com apresentações
performáticas realizadas pelos alunos e professores, reafirmando a dimensão
processual, colaborativa e performativa da disciplina.
4. Contribuições para a formação
acadêmica, artística e docente
A disciplina contribuiu de forma decisiva para o aprofundamento da minha
formação enquanto professor-artista-pesquisador, especialmente ao
deslocar o ensino de artes de uma perspectiva centrada em conteúdos e
resultados para uma abordagem fundamentada na experiência estética, no processo
e no gesto artístico.
Ao longo do semestre, tornou-se evidente
que ensinar arte implica criar condições para a experiência sensível, para o
risco, para a experimentação e para a construção de sentidos em diálogo com o
contexto vivido.
As práticas desenvolvidas — como as ações artísticas no Congresso
PROFARTES, as proposições baseadas no jogo, a visita mediada à Bienal de São
Paulo e a participação em exposições coletivas — possibilitaram vivenciar, na
prática, o professor como mediador de experiências e não apenas como
transmissor de saberes. Essas vivências tensionaram diretamente minha atuação
docente, levando-me a repensar o planejamento das aulas, o papel do corpo, do
espaço e da materialidade, bem como as formas de avaliação em artes no contexto
escolar.
Do ponto de vista acadêmico, as discussões teóricas fortaleceram minha
capacidade de leitura crítica sobre o lugar da arte na escola, problematizando
sua instrumentalização e reafirmando sua dimensão política e formativa.
Artisticamente, a disciplina ampliou meu repertório de procedimentos e
linguagens, especialmente no que se refere às práticas contemporâneas, à
performance e às ações coletivas, consolidando a compreensão da criação
artística como processo situado, relacional e atravessado por questões sociais,
culturais e educativas.
5. Articulação com o projeto de pesquisa
Os conteúdos, debates e experiências vivenciados na disciplina dialogam
de maneira direta e estruturante com meu projeto de pesquisa intitulado
“Graffiti Pixel: materialidade e gesto artístico”. A ênfase conferida à
experiência artística, ao gesto e à materialidade contribuiu para aprofundar a
compreensão do graffiti não apenas como imagem ou linguagem visual, mas como
prática corporal, processual e territorial, marcada por ações no espaço urbano
e por relações políticas com a cidade.
As abordagens teóricas e as
discussões sobre arte contemporânea, território e ensino de artes
possibilitaram ampliar o olhar sobre o graffiti enquanto prática artística
situada, atravessada por disputas simbólicas, institucionais e pedagógicas. A
visita à Bienal de Arte de São Paulo, por exemplo, reforçou a compreensão da
obra de arte como processo e experiência, aspecto que dialoga diretamente com
as práticas do graffiti e com sua materialidade efêmera e relacional.
Além disso, as reflexões sobre o jogo como dispositivo artístico e
pedagógico contribuíram para pensar o graffiti pixelado como um campo de
experimentação que articula gesto, técnica, corpo e tecnologia. No âmbito
educacional, a disciplina também favoreceu a reflexão sobre os desdobramentos
pedagógicos da pesquisa, especialmente no contexto escolar, reconhecendo as
práticas artísticas urbanas como formas legítimas de produção de conhecimento e
como potentes mediadoras no ensino de artes.
6. Considerações finais
A disciplina A Experiência Artística e a Prática do Ensino de Artes na
Escola constituiu-se como um espaço formativo fundamental no contexto do
Mestrado Profissional em Artes, ao promover um percurso marcado pela
articulação entre teoria, prática artística e reflexão crítica sobre o ensino
de artes. A condução sensível e rigorosa dos docentes, aliada à participação
ativa dos discentes, possibilitou a construção de um ambiente de aprendizagem
pautado pela escuta, pela experimentação e pelo diálogo entre diferentes
saberes e trajetórias profissionais.
Ao longo do semestre, a disciplina reafirmou a arte como experiência,
como prática política e como campo de produção de conhecimento, tensionando
concepções tradicionais de ensino e ampliando as possibilidades de atuação do
professor de artes na escola contemporânea. As experiências coletivas, as ações
artísticas e as exposições realizadas evidenciaram a potência da arte como
linguagem capaz de provocar deslocamentos, sensibilizar percepções e instaurar
reflexões críticas sobre o mundo.
De modo geral, a disciplina contribuiu significativamente para o
fortalecimento da minha formação acadêmica, artística e docente, consolidando
uma compreensão do ensino de artes comprometida com a experiência estética, o
gesto artístico e a leitura crítica do contexto contemporâneo. Esses
aprendizados se articulam diretamente aos objetivos do PROFARTES e ao
desenvolvimento da minha pesquisa de mestrado, reafirmando a inseparabilidade
entre criação artística, prática pedagógica e investigação acadêmica.
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