EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O DESAFIO DE BOAS PRÁTICAS
Introdução
A inclusão escolar desafia os paradigmas
tradicionais das escolas, questionando os sistemas educacionais convencionais.
Dessa forma, incluir não é apenas matricular e manter o aluno na escola; é
essencial criar um ambiente que favoreça a aprendizagem. Leodoro (2008), ao
analisar o Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, implementado
nacionalmente pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação a
partir de 2003, concluiu que o programa, ao fornecer subsídios teóricos e
materiais para a formação docente em educação inclusiva e para a organização de
serviços de atendimento educacional especializado nos estados e municípios
brasileiros, contribuiu para o aumento de alunos com necessidades educacionais
especiais em classes e escolas regulares.
A escola desempenha um papel crucial no
desenvolvimento integral das crianças, sendo o primeiro espaço social que as
separa da família e estabelece uma conexão importante com a cultura. Promover
uma educação de qualidade é fundamental para o desenvolvimento econômico e
social de um país. Portanto, priorizar a qualidade do ensino regular é um
desafio que deve ser assumido por toda a sociedade, especialmente pelos
educadores, para que se concretize o princípio democrático da educação para
todos.
Pensar em uma educação de qualidade para todos
implica atribuir novas dimensões à escola, não só aceitando, mas também
valorizando as diferenças, resgatando valores culturais e respeitando o
processo de aprendizagem e construção do conhecimento. Desde os anos 1990 até
hoje, a educação especial sob uma perspectiva inclusiva tem se tornado uma
conquista dos direitos humanos. A implementação da inclusão escolar tem gerado
intensas discussões, exigindo uma reflexão sobre a prática educacional e
possibilitando o desenvolvimento de inúmeras pesquisas voltadas para esse
complexo fenômeno social e escolar.
¹- Formado em arte pelo centro
universitário Claretiano, atualmente é
professor de ensino fundamental e médio na prefeitura de São Paulo e na
secretaria estadual de educação do estado de São Paulo.
Passagem
Histórica
O conceito de integração escolar refere-se às
mudanças administrativas e técnicas entre as escolas regulares e as escolas
especiais, onde alunos considerados aptos podem frequentar parcialmente ou
temporariamente a escola comum. A segregação estava intrinsecamente ligada ao
processo de integração escolar, pois somente os alunos que se adaptavam aos
sistemas regulares conseguiam permanecer em classes comuns; os demais eram
enviados a classes ou escolas especiais. A integração no ensino regular visa a
integração total ou parcial dos alunos. A integração total refere-se ao
encaminhamento do aluno para o ensino regular em uma sala comum, enquanto a
integração parcial encaminha o aluno para uma classe especial:
Nos países que adotaram a integração escolar,
esse conceito levou à criação de um subsistema de Educação Especial dentro das
escolas regulares, para atender alunos com necessidades educativas especiais e
os professores de educação especial que os acompanham. O sistema mantém-se em
todos os níveis, e esses alunos e professores devem se adaptar às regras e ao
funcionamento do sistema regular para terem direito a um lugar na escola
normal, sem que o sistema questione ou preveja mudanças. Se não conseguirem, serão
excluídos (SANCHES, 2006, p. 68).
A inclusão é um conceito amplamente utilizado
na educação, acreditando-se que uma escola inclusiva pode desempenhar um papel
significativo na luta contra a exclusão social e racial. Uma sociedade desigual
gera exclusões. Nesse sentido, a unidade escolar, como instituição social,
apesar de suas limitações, possui certa autonomia e pode contribuir para
reduzir discriminações e preconceitos relacionados às diferenças
biopsicossociais, culturais, etárias, econômicas, étnico-raciais, de gênero,
linguísticas, religiosas, entre outras (MACHADO; ALMEIDA, 2010).
No contexto da inclusão escolar, existem
inúmeras leis e legislações que visam garantir o direito à permanência e a
responsabilidade do Estado. No entanto, há uma divergência nos discursos das
reportagens sobre como esse direito está sendo implementado e quem deve ser
responsável por exigir sua execução (MACHADO; ALMEIDA, 2010).
A educação é um processo contínuo que começa
no nascimento e dura toda a vida. Todos têm o direito de acesso e permanência
na escola e a uma educação de qualidade e inclusiva. De acordo com o artigo 59
da LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), deve-se assegurar
aos educandos:
[...] currículos, métodos, técnicas, recursos
educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades [...]
terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido
para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e
aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados
[...] professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para
atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados
para a integração desses educandos nas classes comuns [...] educação especial
para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade,
inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção
no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem
como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística,
intelectual ou psicomotora [...] acesso igualitário aos benefícios dos
programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino
regular (BRASIL, 1996).
Conclusão
As pessoas são diferentes entre si, e a escola
deve promover uma educação inclusiva que respeite essas diferenças e a
diversidade dos alunos. A escola deve ser capaz de criar ambientes inclusivos
onde todos os alunos possam aprender, independentemente de qualquer diferença,
visando uma educação de qualidade para todos. As ações educativas devem ser
orientadas para proporcionar aos alunos com deficiência ou dificuldade de
aprendizagem iguais oportunidades de acesso e permanência na escola.
As concepções de criança, infância e educação
infantil foram construídas socialmente ao longo dos anos e refletiam os
costumes da época em que foram desenvolvidas. O contexto social influenciou
diretamente na formação dessas concepções, que hoje fazem parte do nosso
contexto social.
Com o tempo, a visão sobre a educação
infantil, seus propósitos e perspectivas mudou, passando de um conceito
intimamente ligado à assistência, ao atendimento das mães trabalhadoras e à
preocupação com a marginalização das crianças, para um conceito voltado para a
educação propriamente dita. Nesse novo conceito, cuidar e educar são
indissociáveis em uma pedagogia que considera a criança como um ser em
desenvolvimento, que deve ser o foco do processo educativo. A criança aprende e
se desenvolve através da troca de experiências e da convivência com os outros,
e a escola tem um papel fundamental em auxiliar o educando nessa troca de
conhecimentos e na sua convivência social.
Referencias
BRASIL, Constituição
da República Federativa do Brasil: promulgada em 05 de outubro de 1988.
Brasília, 1988.
______. Decreto nº 3298
de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a lei nº 7853/89, dispõe sobre a
Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.
Brasília, 1999.
DECLARAÇÃO de
Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: CORDE, 1994.
EDUCAÇÃO ESPECIAL. Política
Nacional de Educação Especial. Brasília, 1994.
MACHADO, A. C. ; ALMEIDA,
A.A., Parceria no contexto escolar: uma experiência de ensino colaborativo
para educação inclusiva. Rev. psicopedagogia 2010; 27(84): 344-51
MENDES, Enicéia
Gonçalves. A radicalização do debate sobre inclusão escolar no Brasil.
Revista Brasileira de Educação, v.11, n. 33, p.387-405. set/dez, 2006.
PESSOTTI, Isaías. Deficiência
mental: da superstição à ciência. São Paulo, Edusp, 1984
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