Música em
sala de aula
Resumo
Em agosto de 2008, sancionou-se uma lei que torna obrigatório o ensino de
Música na Educação Básica. Desde
2012 as instituições vem se
adaptando às exigências da norma. Na
prática ainda temos diversas indefinições. Algumas instituições implantaram
aulas especificas de música, outras integrou ao currículo de Arte propondo
atividades teóricas e componentes prático. Talvez um dos maiores
problemas é a ação do professor
polivalente que em muitos casos não tem esta formação e precisa dominar um
leque de atividades para atender as demandas no espaço escolar. De maneira que
no cotidiano escolar o professor enfrenta uma série de dificuldades, empecilhos
técnicos, de formação, falta de estrutura
e principalmente falta de base de educação musical.
Palavra Chave: Professor
polivalente, Música na Educação Básica, educação musical
Summary
In August 2008 , it signed up a law mandating the Music Education in
Basic Education. Since 2012 the institution has been adapting to the
requirements of the standard. In practice we still have many unknowns . Some
institutions have implemented specific music lessons , others joined the Art
curriculum proposing theoretical and practical components activities. Perhaps
one of the biggest problems is the action of polyvalent teacher who in many
cases do not have this training and need to master a range of activities to
meet the demands at school . So that in the daily school teacher faces a number
of difficulties , technical obstacles , training , lack of infrastructure and
especially lack of musical education base .
Keyword: polyvalent Teacher, Music in Basic Education , Music Education
¹-
Formado em arte pelo centro universitário Claretiano, atualmente é professor de ensino fundamental e médio na
prefeitura de São Paulo e na secretaria estadual de educação do estado de São
Paulo.
Introdução
Em agosto de 2008, sancionou-se
uma lei que torna obrigatório o ensino de Música na Educação Básica.
Desde 2012 as instituições vem se adaptando às exigências da norma.
No sistema educacional há uma espécie de consenso que além de contribuir para a
socialização das crianças e aproximá-las de manifestações da cultura, aprender
música dá a chance de conhecer mais sobre a expressão por meio dos sons e
desenvolver habilidades como o canto, a execução instrumental, a audição e a
improvisação sonora é muito positivo e contribui para o processo de
aprendizagem do individuo, porém trabalhar este conteúdo tem sido um dos
diversos problemas para o professor de arte, temos ainda o descompasso entre a
teoria e a prática em sala teórica, ou seja a teoria tudo é possível, já na
prática do cotidiano escolar enfrentamos muitos problemas em muitas
instituições adota-se modelos estereotipados para serem repetidos ou
apreciados, empobrecendo o universo cultural do estudante.Em outras, o ensino de musica ainda são as técnicas
artísticas, tratadas de modo superficial e esvaziadas de significado, deixando
a mobilização de aspectos cognitivos e
culturais.
Para que as transformações aconteçam, é necessário que os professores que forem
trabalhar musica em sala de aula tenham um mínimo de experiências teórica e práticas na área e que saibam exercitar a
reflexão pedagógica específica para o ensino de musica. Nesse sentido, é
necessário haver o investimento em formação e requalificação profissional em cursos de formação cultural contínua. Além
disso, é necessário que as escolas invistam em espaços próprios para as aulas
de musica , livros didáticos e paradidáticos da área, além de materiais específicos
para o trabalho com o fazer artístico musical
com os quais os professores possam, com suas turmas, desenvolver
trabalhos de artes ricos, contextualizados e expressivos. Além disso, é necessário um trabalho prévio de
ensino-aprendizagem em musica nos
primeiros anos do ensino fundamental.
Teoria e prática do ensino musical
Entre os teóricos da educação há uma
espécie de consenso que além de contribuir para a socialização das crianças e
aproximá-las de manifestações da cultura, aprender música dá a chance de
conhecer mais sobre a expressão por meio dos sons e desenvolver habilidades
como o canto, a execução instrumental, a audição e a improvisação sonora é
muito positivo e contribui para o processo de aprendizagem do individuo, porém trabalhar
este conteúdo tem sido um dos diversos problemas para o professor de arte, pois
em muitos casos falta formação e estrutura da instituição. Mas afinal o que é
preciso para ensinar bem musica? Segundo Keith Swanwick, o
essencial é respeitar o estágio em que cada aluno se encontra. Tendo isso em
mente, é preciso seguir três princípios. Primeiro, preocupar-se com a
capacidade da criança de entender o que é proposto. Depois, observar o que ela
traz de sua realidade, as coisas com que também pode contribuir. Por fim,
tornar o ensino fluente, como se fosse uma conversa entre estudantes e
professor. Isso se faz muito mais demonstrando os sons do que com o uso de
notações musicais. Em sua obra
Swanwick mostra que o
desenvolvimento musical de cada indivíduo se dá numa seqüência, dependendo das
oportunidades de interação com os elementos da música, do ambiente musical que
o cerca e de sua Educação. Com base nessas variáveis, posso dizer que o
aprendizado musical guarda relação com a faixa etária. Cada uma corresponderia
a um estágio de desenvolvimento.
Os estudos de SWANWICK configura os estágios , o primeiro vai
até mais ou menos os 4 anos. Sua marca principal são experimentações, com as
crianças batendo coisas e explorando as possibilidades de produção de sons de
cada instrumento. No segundo estágio, que vai dos 5 aos 9 anos, essa
manipulação já funciona como uma forma de manifestação do pensamento, dando
origem às primeiras composições, muito parecidas com as que os pequenos
conhecem de tanto cantar, tocar e escutar. As criações se tornam mais variadas
e surpreendentes a partir dos 10 anos, num movimento que chamo de especulativo.
Em seguida, já no início da adolescência, as variações passam a respeitar os
padrões de algum estilo específico, muitas vezes o pop ou o rock,
"idiomas" em que é possível estabelecer conexões com outros jovens.
Por fim, a partir dos 15 anos, é possível desenvolver um quarto estágio, que
engloba os outros três, em que a música representa um valor importantíssimo
para a vida do adolescente, marcado mais por uma relação emocional individual e
menos por modismos passageiros ou algum tipo de consenso social. ____________________________________________
Aspectos
importantes no ensino de música nas escola
É importante que os conteúdos sejam trabalhados de maneira
integrada. "agregar" é a palavra chave , segundo Swanwick há três atividades principais na música, que
são compor (a letra C, de composition), ouvir música (A,
de audition) e tocar (P, de performance).
Essas três atividades, que formam o CAP, devem ser entremeadas pelo estudo da
história da música (L, de literature
studies) e pela
aquisição de habilidades (S,
de skill aquisition).(No
Brasil, esse processo ficou conhecido como TECLA: T de técnica, E de execução,
C de composição, L de literatura e A de apreciação.) A vantagem de trabalhar nessa perspectiva
é considerar que todas essas coisas são importantes e que devem ser
desenvolvidas em equilíbrio. A ideia do clasp também pode ser útil para o professor
perceber se está gastando muito tempo, digamos, no L, descrevendo fatos
históricos e desenhando instrumentos, por exemplo. Dar muito enfoque à história
da música é uma forma simplificadora de achar que se está ensinando Música.
Acontece que a história não é música - ela é sobre música. O mesmo excesso pode
ocorrer com docentes que atuam na classe o tempo todo como intérpretes ou
outros que apenas colocam CDs para a apreciação. É importante trabalhar com músicas que as crianças já conheçam até para
considerar o que cada criança traz de base. Mas o professor não pode se limitar
ao repertório já conhecido. É preciso ampliá-lo. Para ficar em um exemplo
típico do Brasil, posso dizer que é correto ensinar samba, mas é essencial
explorar os diferentes tipos de samba e ir além desse ritmo, trazendo novas
referências. A variação de
ritmos é importante para favorecer o desenvolvimento da turma. Também não há
uma sequência mais adequada, do tipo "primeiro música clássica e depois
popular". É claro que pode ser inadequado submeter a criança pequena ao
rock pesado, por exemplo, porque ela não vai se identificar com esse tipo de
som. Mas é interessante apresentar a ela alguns tipos de percussão. Na outra
ponta, talvez os mais velhos não queiram se aproximar de canções de ninar
porque elas não fazem mais parte de seu universo. De qualquer forma, um bom
conselho é evitar rotular os estilos musicais, pois esse tipo de estereótipo
pode afastar. É preciso contextualizar a criação de modo que o estilo seja
apenas um dos dados sobre a música.
Considerações finais
Enfrentamos alguns problemas para a aplicação da lei no
cotidiano escolar, principalmente na falta de profissionais habilitados
para atender à demanda criada pela nova
lei, sabe-se que há muitos profissionais
ensinando música de qualidade, mas em geral eles estão em escolas de Música e
não na rede de ensino publica . É preciso conceber formas de atrair essas
pessoas para a escola ou melhorar a formação dos que já atuam. Talvez seja
necessário um tempo para que se formem docentes prontos para cumprir a norma do
governo. Dificuldades a
parte , é
fundamental que o professor saiba tocar um instrumento porque isso é muito útil
na sala de aula. Ajuda a exemplificar e a responder as dúvidas, entre outras
coisas. Além disso, é preciso entender muito bem do assunto, ter conhecimentos
de História da Música, saber relacionar diferentes momentos históricos e
estilos e construir uma visão crítica sobre o tema.____________________
Referencias
SWAWICK. Keith , 1979 –
Ensinando Musica Musicalmente – São Paulo: Ed Moderna
ZAGONEL, B. Do gesto ao
musical: uma nova pedagogia. Caderno de estudos: educação musical, n.2, São
Paulo: Atravez, 1992, p. 41-46
GARDNER, H. As artes e o
desenvolvimento humano: um estudo psicológico artístico. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1997.
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