terça-feira, 9 de julho de 2024

Música em sala de aula

 

Música em sala de aula

Resumo

Em agosto de 2008,  sancionou-se  uma lei que torna obrigatório o ensino de Música na Educação Básica. Desde  2012  as instituições vem se adaptando  às exigências da norma. Na prática ainda temos diversas indefinições. Algumas instituições implantaram aulas especificas de música, outras integrou ao currículo de Arte propondo atividades  teóricas  e componentes prático. Talvez um dos maiores problemas é a ação do   professor polivalente que em muitos casos não tem esta formação e precisa dominar um leque de atividades para atender as demandas no espaço escolar. De maneira que no cotidiano escolar o professor enfrenta uma série de dificuldades, empecilhos técnicos, de formação, falta de estrutura  e principalmente falta de base de educação musical.

Palavra Chave: Professor polivalente, Música na Educação Básica, educação musical

Summary

 

In August 2008 , it signed up a law mandating the Music Education in Basic Education. Since 2012 the institution has been adapting to the requirements of the standard. In practice we still have many unknowns . Some institutions have implemented specific music lessons , others joined the Art curriculum proposing theoretical and practical components activities. Perhaps one of the biggest problems is the action of polyvalent teacher who in many cases do not have this training and need to master a range of activities to meet the demands at school . So that in the daily school teacher faces a number of difficulties , technical obstacles , training , lack of infrastructure and especially lack of musical education base .

 

Keyword: polyvalent Teacher, Music in Basic Education , Music Education

 

¹- Formado em arte pelo centro universitário Claretiano, atualmente  é professor de ensino fundamental e médio na prefeitura de São Paulo e na secretaria estadual de educação do estado de São Paulo.

 

Introdução

Em agosto de 2008,  sancionou-se  uma lei que torna obrigatório o ensino de Música na Educação Básica. Desde  2012  as instituições vem se adaptando  às exigências da norma. No sistema educacional há uma espécie de consenso que além de contribuir para a socialização das crianças e aproximá-las de manifestações da cultura, aprender música dá a chance de conhecer mais sobre a expressão por meio dos sons e desenvolver habilidades como o canto, a execução instrumental, a audição e a improvisação sonora é muito positivo e contribui para o processo de aprendizagem do individuo, porém trabalhar este conteúdo tem sido um dos diversos problemas para o professor de arte, temos ainda o descompasso entre a teoria e a prática em sala teórica, ou seja a teoria tudo é possível, já na prática do cotidiano escolar enfrentamos muitos problemas em muitas instituições  adota-se  modelos estereotipados para serem repetidos ou apreciados, empobrecendo o universo cultural do estudante.Em outras, o  ensino de musica ainda são as técnicas artísticas, tratadas de modo superficial e esvaziadas de significado, deixando a mobilização de  aspectos cognitivos e culturais.

          Para que as transformações  aconteçam, é  necessário que os professores que forem trabalhar musica em sala de aula   tenham um mínimo de experiências teórica  e práticas na área e que saibam exercitar a reflexão pedagógica específica para o ensino de musica. Nesse sentido, é necessário haver o investimento em formação e requalificação profissional  em cursos de formação cultural contínua. Além disso, é necessário que as escolas invistam em espaços próprios para as aulas de musica , livros didáticos e paradidáticos da área, além de materiais específicos para o trabalho com o fazer artístico musical  com os quais os professores possam, com suas turmas, desenvolver trabalhos de artes ricos, contextualizados e expressivos. Além disso, é  necessário um trabalho prévio de ensino-aprendizagem em musica  nos primeiros anos do ensino fundamental.

 

 

Teoria e prática do ensino musical

 

        Entre os teóricos da educação há uma espécie de consenso que além de contribuir para a socialização das crianças e aproximá-las de manifestações da cultura, aprender música dá a chance de conhecer mais sobre a expressão por meio dos sons e desenvolver habilidades como o canto, a execução instrumental, a audição e a improvisação sonora é muito positivo e contribui para o processo de aprendizagem do individuo, porém trabalhar este conteúdo tem sido um dos diversos problemas para o professor de arte, pois em muitos casos falta formação e estrutura da instituição. Mas afinal o que é preciso para ensinar bem musica? Segundo  Keith Swanwick, o essencial é respeitar o estágio em que cada aluno se encontra. Tendo isso em mente, é preciso seguir três princípios. Primeiro, preocupar-se com a capacidade da criança de entender o que é proposto. Depois, observar o que ela traz de sua realidade, as coisas com que também pode contribuir. Por fim, tornar o ensino fluente, como se fosse uma conversa entre estudantes e professor. Isso se faz muito mais demonstrando os sons do que com o uso de notações musicais. Em sua obra  Swanwick  mostra que o desenvolvimento musical de cada indivíduo se dá numa seqüência, dependendo das oportunidades de interação com os elementos da música, do ambiente musical que o cerca e de sua Educação. Com base nessas variáveis, posso dizer que o aprendizado musical guarda relação com a faixa etária. Cada uma corresponderia a um estágio de desenvolvimento.               

          Os estudos de  SWANWICK configura os estágios , o primeiro vai até mais ou menos os 4 anos. Sua marca principal são experimentações, com as crianças batendo coisas e explorando as possibilidades de produção de sons de cada instrumento. No segundo estágio, que vai dos 5 aos 9 anos, essa manipulação já funciona como uma forma de manifestação do pensamento, dando origem às primeiras composições, muito parecidas com as que os pequenos conhecem de tanto cantar, tocar e escutar. As criações se tornam mais variadas e surpreendentes a partir dos 10 anos, num movimento que chamo de especulativo. Em seguida, já no início da adolescência, as variações passam a respeitar os padrões de algum estilo específico, muitas vezes o pop ou o rock, "idiomas" em que é possível estabelecer conexões com outros jovens. Por fim, a partir dos 15 anos, é possível desenvolver um quarto estágio, que engloba os outros três, em que a música representa um valor importantíssimo para a vida do adolescente, marcado mais por uma relação emocional individual e menos por modismos passageiros ou algum tipo de consenso social. ____________________________________________                                                                                                                                                          

Aspectos importantes no ensino de música nas escola


É importante  que os conteúdos sejam trabalhados de maneira integrada. "agregar" é a palavra chave , segundo Swanwick   há três atividades principais na música, que são compor (a letra C, de composition), ouvir música (A, de audition) e tocar (P, de performance). Essas três atividades, que formam o CAP, devem ser entremeadas pelo estudo da história da música (L, de literature studies) e pela aquisição de habilidades (S, de skill aquisition).(No Brasil, esse processo ficou conhecido como TECLA: T de técnica, E de execução, C de composição, L de literatura e A de apreciação.)  A vantagem de trabalhar  nessa perspectiva é considerar que todas essas coisas são importantes e que devem ser desenvolvidas em equilíbrio. A ideia do clasp também pode ser útil para o professor perceber se está gastando muito tempo, digamos, no L, descrevendo fatos históricos e desenhando instrumentos, por exemplo. Dar muito enfoque à história da música é uma forma simplificadora de achar que se está ensinando Música. Acontece que a história não é música - ela é sobre música. O mesmo excesso pode ocorrer com docentes que atuam na classe o tempo todo como intérpretes ou outros que apenas colocam CDs para a apreciação.  É importante trabalhar com músicas que as crianças já conheçam até para considerar o que cada criança traz de base. Mas o professor não pode se limitar ao repertório já conhecido. É preciso ampliá-lo. Para ficar em um exemplo típico do Brasil, posso dizer que é correto ensinar samba, mas é essencial explorar os diferentes tipos de samba e ir além desse ritmo, trazendo novas referências.  A variação de ritmos é importante para favorecer o desenvolvimento da turma. Também não há uma sequência mais adequada, do tipo "primeiro música clássica e depois popular". É claro que pode ser inadequado submeter a criança pequena ao rock pesado, por exemplo, porque ela não vai se identificar com esse tipo de som. Mas é interessante apresentar a ela alguns tipos de percussão. Na outra ponta, talvez os mais velhos não queiram se aproximar de canções de ninar porque elas não fazem mais parte de seu universo. De qualquer forma, um bom conselho é evitar rotular os estilos musicais, pois esse tipo de estereótipo pode afastar. É preciso contextualizar a criação de modo que o estilo seja apenas um dos dados sobre a música. 



Considerações finais


Enfrentamos alguns problemas para a aplicação da lei no cotidiano escolar, principalmente na falta de profissionais habilitados para  atender à demanda criada pela nova lei,  sabe-se que há muitos profissionais ensinando música de qualidade, mas em geral eles estão em escolas de Música e não na rede de ensino publica . É preciso conceber formas de atrair essas pessoas para a escola ou melhorar a formação dos que já atuam. Talvez seja necessário um tempo para que se formem docentes prontos para cumprir a norma do governo. Dificuldades a parte , é fundamental que o professor saiba tocar um instrumento porque isso é muito útil na sala de aula. Ajuda a exemplificar e a responder as dúvidas, entre outras coisas. Além disso, é preciso entender muito bem do assunto, ter conhecimentos de História da Música, saber relacionar diferentes momentos históricos e estilos e construir uma visão crítica sobre o tema.____________________ 

 

Referencias

SWAWICK. Keith , 1979 – Ensinando Musica Musicalmente – São Paulo: Ed Moderna

ZAGONEL, B. Do gesto ao musical: uma nova pedagogia. Caderno de estudos: educação musical, n.2, São Paulo: Atravez, 1992, p. 41-46

GARDNER, H. As artes e o desenvolvimento humano: um estudo psicológico artístico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

 

 

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